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Fiscalização encontra 7,7 mil trabalhadores em situação irregular em operações da Shopee

16/08/2026

23:08

Patrick Rafael

Correio Betinense

Betim está entre as cidades mineiras onde Auditores-Fiscais do Trabalho identificaram indícios de fraude na contratação de entregadores e uso irregular de mão de obra

Unidade da Shopee em Betim está entre os locais fiscalizados pela Auditoria-Fiscal do Trabalho — Foto: MTE/Divulgação



Uma fiscalização da Auditoria-Fiscal do Trabalho identificou 7.781 trabalhadores em situação considerada irregular em operações da Shopee em Betim, Contagem e São José da Lapa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A ação apontou indícios de fraude na contratação de 1.024 motoristas entregadores e de outros 6.757 trabalhadores que atuavam nos armazéns da empresa.

Segundo os auditores, os entregadores apresentados como “motoristas parceiros” ou “drivers” estavam submetidos a mecanismos de controle e subordinação por meio do aplicativo utilizado pela empresa.

A fiscalização apontou que a plataforma era usada para determinar rotas, prazos e procedimentos, além de acompanhar o desempenho dos trabalhadores em tempo real. O sistema utilizava recursos como geolocalização, fotografias e reconhecimento facial.

Os fiscais também identificaram um sistema de classificação que influenciava a distribuição de oportunidades de trabalho. Entre os critérios considerados estavam o índice de sucesso nas entregas, o tempo utilizado nas rotas, a quantidade de devoluções e o histórico de comparecimento.

De acordo com a fiscalização, os trabalhadores não tinham acesso completo aos critérios utilizados para definir a posição no ranking. Em situações analisadas, apenas 40,9%, 14,7% e 9,6% dos entregadores que haviam declarado disponibilidade foram convocados. Em outro caso, 90,4% permaneceram sem oportunidade de trabalho.

Outro ponto identificado foi o envio de ofertas de rotas durante a madrugada. Em uma unidade, os chamados eram encaminhados por volta das 2h30 para carregamento dos veículos às 5h30. Em outra, as ofertas chegavam aproximadamente às 3h30, com início das atividades previsto para as 6h30.

A fiscalização também apontou uma expectativa de aproximadamente 20 pacotes entregues por hora e taxa de sucesso de 98%. Durante as rotas, os motoristas eram acompanhados por uma estrutura chamada “Torre de Controle”, que, segundo os auditores, monitorava cerca de 5 mil motoristas por dia em Minas Gerais e em outros estados.

Ao final da operação, foram elaborados 54 autos de infração. Entre as irregularidades apontadas estão trabalhadores sem registro por meio de fraude, falta de anotação na Carteira de Trabalho, ausência de identificação de riscos ocupacionais, problemas na organização do trabalho e descumprimentos relacionados à Cipa e ao Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho.

Nas unidades de armazenagem, a fiscalização apontou ainda o uso considerado irregular de mão de obra temporária e terceirizada em atividades relacionadas à movimentação de mercadorias.

A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Shopee para comentar os apontamentos da fiscalização. Até a publicação, a empresa não havia apresentado manifestação.

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