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Polícia Civil indicia sargento da Marinha e a mãe dele pela morte de Gaiola em Betim

29/07/2026

15:13

Patrick Rafael

Correio Betinense

Investigação concluiu que o mecânico foi executado com disparos de revólver calibre .22 em frente à própria residência no Condomínio Saraiva

Mecânico Carlos Alberto dos Santos foi morto a tiros em Betim na noite de 14 de julho Foto: Arquivo da família

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito que apurava o assassinato do mecânico Carlos Alberto dos Santos, conhecido como Gaiola, de 61 anos, morto no último dia 14, no Condomínio Saraiva, em Betim. O principal investigado, Guilherme Augusto Rodrigues Martins, terceiro-sargento reformado da Marinha, foi indiciado por homicídio qualificado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.

A mãe dele, Joselí Rodrigues Nascimento, de 54 anos, também foi indiciada, acusada de omissão. O encerramento do inquérito foi confirmado pela Polícia Civil nessa terça-feira (28/7).

Segundo a investigação, Gaiola foi surpreendido em frente à própria casa e atingido por ao menos quatro tiros disparados com um revólver calibre .22. A arma e as munições utilizadas foram apreendidas durante as diligências realizadas pelos investigadores.
O militar reformado foi preso em flagrante no dia do crime e teve a prisão convertida em preventiva após audiência de custódia realizada no dia seguinte.

Polícia pede internação provisória

Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil representou pela internação provisória do investigado. A solicitação foi baseada em laudo médico que aponta esquizofrenia e no histórico de envolvimento do suspeito em outros dois homicídios, circunstâncias que, segundo a corporação, justificariam a medida para preservação da ordem pública.

Durante a investigação, testemunhas foram ouvidas e imagens de câmeras de segurança ajudaram a esclarecer a dinâmica da execução. O procedimento já foi encaminhado ao Poder Judiciário para as providências cabíveis.

Histórico judicial do investigado

A investigação revelou ainda que Guilherme Augusto Rodrigues Martins foi declarado judicialmente incapaz em 2021, após ação proposta pela própria mãe em razão de diagnóstico de esquizofrenia paranoide.
O caso também trouxe à tona um episódio ocorrido anteriormente no Distrito Federal, quando o militar foi considerado inimputável após matar um pastor com golpes de espada dentro de um ônibus.

Transferência autorizada para o Rio de Janeiro

Como Minas Gerais não possui estrutura adequada para custódia de militares da Marinha, o juiz Leonardo Cohen Prado autorizou a transferência do investigado para o presídio da Marinha localizado na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro.

Justiça avaliará condição mental

A defesa do sargento reformado solicitou a abertura de incidente de insanidade mental, sustentando que ele possui diagnóstico de esquizofrenia e síndrome de burnout, além de fazer uso contínuo de medicação antipsicótica.

O pedido foi aceito pela Justiça, com concordância do Ministério Público, para que seja realizada perícia destinada a avaliar a capacidade de discernimento do investigado no momento do crime.

Também consta nos autos um processo de interdição civil movido pela mãe em 2020, na 1ª Vara de Família de Betim, elemento que poderá ser considerado nas futuras decisões judiciais sobre o caso.

A morte de Gaiola provocou forte repercussão entre moradores do Condomínio Saraiva e reacendeu discussões sobre segurança e saúde mental envolvendo pessoas com histórico psiquiátrico e antecedentes criminais. Com o indiciamento concluído, caberá agora ao Ministério Público decidir sobre eventual denúncia criminal contra os investigados.

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