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Morte de criança Warao por desnutrição e desidratação mobiliza força-tarefa de saúde em Betim

29/05/2026

18:28

Patrick Rafael

Comitê Intersetorial é criado para apurar fragilidades no atendimento após óbito no Centro Materno-Infantil; SES-MG estipula prazo de 120 dias para auditoria

O óbito de uma menina indígena de 1 ano e 4 meses, ocorrido na última quinta-feira (28) no Centro Materno-Infantil de Betim, desencadeou uma mobilização imediata dos órgãos de saúde pública municipais e estaduais. A paciente, originária da Venezuela e integrante da etnia Warao, deu entrada na ala hospitalar no dia 25 de maio com um diagnóstico crítico de desidratação e desnutrição crônica generalizada.

O Executivo de Betim justificou que o núcleo familiar da vítima havia se estabelecido na ocupação Terra Mãe, no bairro PTB, há aproximadamente 30 dias. Devido ao curto período de permanência no local, a criança não havia sido fichada pelas frentes de busca ativa da Atenção Primária. Atualmente, a rede municipal de saúde presta assistência continuada a 244 indígenas Warao mapeados na região. Diante do fato, a Secretaria de Saúde instituiu um Comitê Intersetorial para identificar gargalos no fluxo de acolhimento e mitigar os riscos de vulnerabilidade alimentar e social dessas famílias.

O histórico de perdas na ocupação Terra Mãe já vinha acendendo o alerta das autoridades nos últimos meses. Em janeiro do ano passado, um bebê de apenas 4 meses, também da etnia Warao, faleceu no local após contrair Síndrome Respiratória Aguda Grave provocada por complicações de influenza B, adenovírus e rinovírus. Pouco tempo depois, em julho de 2025, a comunidade enfrentou outra perda grave: uma menina de 13 anos, grávida de 8 meses, morreu no Centro Materno-Infantil devido a complicações no parto, em um caso que foi caracterizado pelas autoridades como estupro de vulnerável.

Diante desse cenário reincidente, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) informou que está monitorando de perto o andamento das novas averiguações técnicas conduzidas em Betim. Conforme os regulamentos sanitários do Sistema Único de Saúde, o município tem o prazo formal de até 120 dias para encerrar o inquérito epidemiológico sobre a morte da menor de 16 meses. O relatório gerado será posteriormente sabatinado pelo Comitê de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal, com o objetivo de readequar as estratégias de atuação dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) que atuam em áreas de alta vulnerabilidade social.

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